terça-feira, 27 de abril de 2010

Em um típico dia de outono, as folhas caiam, uma a uma e rodopiavam como se não quisessem chegar ao chão...
E eu estava trabalhando, na velha loja de ferragens do meu avô. Em um dia como esse, frio e chuvoso, é só o que eu poderia fazer. Aliás, era o que eu fazia sempre, já que era tímida, desajeitada e por esse motivo não tinha amigos.
Após o expediente, fui para casa. No caminho percebi um estranho movimento na esquina da casa onde morava com meus avós. Havia acontecido um acidente. Um garoto fora atropelado por um ônibus escolar. Cheguei mais perto, para ver se conhecia a vítima. Fiquei chocada como todos que ali estavam. Era um garoto lindo!
Continuei meu caminho normalmente, mas a imagem do garoto, mesmo mórbida, era fascinantemente linda!
Tive uma noite de sono perturbada. Acordava sempre, com a impressão de não estar sozinha. E, realmente, não estava! Quando abri os olhos vi diante de mim a imagem do garoto que havia sido morto naquele mesmo dia, horas antes. Mas a imagem não era nada comparada à que vi no acidente, era muito mais bela, quase angelical.
Pensei estar sonhando, mais a imagem se aproximava, e o medo, a curiosidade e o fascínio tomavam conta de meus pensamentos.
Assombrada e sem saber o que fazer perguntei a imagem, que ainda caminhava na minha direção, quase que num sussurro: -Qual seu nome? Como entrou aqui?
O anjo sorriu. E respondeu: -
Meu nome é Simon Spark. E o seu?
Percebi quando ele hesitou em responder a segunda pergunta, mas deixei passar.
- M-meu nome é Allyce Morgan. - gaguejei - Como você entrou? -Insisti.
Ele sorriu. Era mais belo quando sorria, e eu sentia o medo desaparecer.
Ele estava bem na minha frente, poderia tocá-lo se quisesse. Senti algo estranho em meu coração. Ele pulsava, freneticamente, como se quisesse sair pela boca! Sabia o que estava acontecendo... Eu não acreditei! Estava apaixonada por um fantasma!
Ele me observava apreensivo. De repente ele estava me tocando. Sua pele era macia, como algodão! Após longos segundos silenciosos, ele disse:
-
Eu não posso explicar, porque também não sei! Só sei que era meu destino te conhecer, mas não tive tempo. Sinto uma dor inefável por não poder tocá-la!
- Mas a culpa não é sua!
– eu o interrompi.
Lagrimas escorreram de seus olhos brilhantes.
Um sentimento conhecido tomava conta de mim. Eu o amava!
Ele me olhou, sorrindo.
- Eu também te amo. – disse -
Mas não posso ficar!
Uma dor incomum se espalhou pelo quarto e em um segundo ele me beijou e sua imagem se desfez numa nuvem de fumaça.
Levantei-me da cama num salto! Ele não podia ter ido embora! Gritei seu nome, incansavelmente. E quando olhei para o chão vi um papel amassado, e sujo de sangue.
Peguei-o ente os dedos trêmulos. Li a seguinte frase:


“Nosso amor superará fronteiras, inclusive a maior delas: a morte!
Eu te amo, e voltarei em breve.
Simon Spark.”

Sem comentários:

Enviar um comentário